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Lugar de mulher é na Tecnologia, se ela quiser

Aline Souza | 1 de Dezembro de 2020 às 01:14

Quando decidi seguir na área de Tecnologia da Informação eu não tinha muita ideia do que estaria por vir. Com 18 anos, muitos sonhos e uma verdadeira paixão por ciências exatas, eu via na área a possibilidade de ter uma formação que me permitisse trabalhar com cálculos, álgebra, análises, geometria, e resolução de problemas. Na época, a graduação em Sistemas de Informação me pareceu fascinante, acreditei que era o que eu buscava.

É notória a dominância masculina na área de TI, os homens ainda são maioria nas empresas e cursos superiores. Acredito que uma das influências para isso comece na infância: quando os meninos ganham jogos de raciocínio lógico, videogames, jogos de montagem, e as meninas são incentivadas a brincar de bonecas. Ao chegarmos na época de ingressar em uma faculdade, se olharmos com atenção, percebemos que esses pequenos estímulos dados na infância podem sim refletir na nossa decisão sobre um curso de ensino superior.

Mulheres como Ada Lovelace, Grace Hopper, freira Mary Kenneth Kelle e Carol Shaw desempenharam papel fundamental na história da tecnologia. No entanto, no cenário atual, as mulheres são minoria no mercado de trabalho. Contrariando o pensamento existente por muitos de que “mulheres não se interessam por tecnologia” ou de que mulheres "não dão certo nessas áreas", eu concordo com as pessoas que acreditam não haver distinção de gênero no que se refere a conhecimento e capacitação técnica.

A caminhada na área de Tecnologia me apresentou alguns percalços, e os vejo também nos relatos de outras mulheres que conheci nessa jornada. Em alguns casos, isso já começa quando ingressamos na graduação em um curso de Tecnologia e nos deparamos com professores e colegas que duvidam do nosso potencial. E foi exatamente nessa época em que percebi a existência desse problema cultural. A minha forma de combatê-lo? Mostrar ao longo dos 4 anos de faculdade o quanto podemos ser excelentes no que quisermos fazer! E felizmente, vi muitos desses discursos mudarem para melhor nesse período.

Hoje, vemos muitas empresas com vagas para pessoas em Tecnologia com olhares voltados para essa questão, visto que no seu quadro de pessoas funcionárias também estão poucas mulheres. E o mesmo notamos em outros momentos de nossa trajetória, como na colação de grau com pouquíssimas mulheres conosco.

Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas vemos muitas melhorias e torço para que cada mulher que escolheu essa área encontre uma empresa que possua os valores que ela acredita, que ofereça as mesmas oportunidades para homens e mulheres, tendo um ambiente de trabalho diversificado, equilibrado, positivo, com respeito e justiça. Enfim, uma empresa pela qual ela se apaixone e queira fazer parte.



A Aline tem 34 anos, é graduada em Sistemas de Informação no Centro Universitário UNIFAMINAS e mestre em Modelagem Matemática e Computacional CEFET - MG. Já trabalhou como dev JAVA, lecionou, e montou cursos de computação voltado para mulheres em situação de vulnerabilidade social e para meninas no ensino médio. Atua há mais de dois anos na área de Ciência de Dados. Ela está sempre em busca de novos aprendizados e desafios, e com muita vontade de contribuir com seus conhecimentos para termos mais mulheres conosco.

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